Severa metamorfose



Eu demorei muito para escrever esse texto.

Acontece que nos últimos meses, eu passei por severas e dolorosas metamorfoses. Era como se algo dentro de mim estivesse sufocando, desesperado, agonizando, gritando para sair. Eu não me reconhecia quando olhava meu reflexo no espelho. Odiava aquela imagem, acabada, cabelos caindo cada vez mais, pele cheia de imperfeições e gorda. Horrível. Nojenta. Eu não queria levantar da cama. Não queria trabalhar. Sentia que a vida estava passando e eu... ficando para trás. Não tinha mais motivos para sonhar ou ter esperança de algo. Nada.

Como se não bastasse toda a confusão emocional e a carência amorosa sempre estampada na minha testa, perdi minha mãe e junto com ela foi-se também o meu resto de alegria. O que já estava ruim, ficou pior aqui dentro. De uma hora pra outra, até a minha vontade de buscar a Deus diminuiu drasticamente, mesmo já sendo batizada nas águas. Um mar de caos e tristeza tomou conta do meu coração. Eu ia na igreja, mas não me sentia parte daquilo mais, minha mente questionava aquela doutrina e toda palavra de repreensão eu achava que era uma bronca direta para mim. E eu não escutava as partes boas, apenas a repreensão. Me sentia um lixo no fim e aquele sentimento só piorava. Eu não queria ser assim...queria ser meiga, delicada e bem crente mesmo, como a grande maioria das meninas da igreja... tudo para ser aceita. Mas eu não era assim, nunca fui assim e toda vez que tentei, sentia como se tivesse perdido minha própria identidade. Aquela não era eu. Fui me afastando de amigos, me afastei da igreja e afundando cada vez mais. Eu não queria ser assim, estava sempre errada, eu não me perdoava nunca, carente, só chorava... até que praticamente parei de ir.

Mesmo assim, eu nunca deixei de dizer que era cristã. E sempre que me perguntam em que igreja vou, eu digo a verdade. Aliás, gosto muito da igreja que frequento e só hoje consigo ir às vezes, sem me importar com o que as pessoas podem pensar. Afinal, para alguns é sempre mais fácil julgar do que estender a mão para alguém ferido espiritualmente. Mas tá tudo bem! Eu entendo. Hoje, eu entendo. Porém, foram as pessoas de fora da igreja que mais me ajudaram a me reerguer. Foram católicos, espíritas e até gente que gosta da cultura hindu que me pegaram pela mão literalmente e me mostraram o que é o amor verdadeiro, me incentivando e ensinando sobre o Amor Puro e toda misericórdia de Deus. Não estou falando mal da igreja evangélica/cristã, mas há muitas pessoas dentro de igrejas que estão cegas, são egoístas e que ajudam mendigos, querem partir para grandes Missões no exterior, mas apontam o dedo para os próprios irmãos em Cristo.

Eu nunca quis ser uma religiosa, tudo o que sempre pedi a Deus foi me dar a capacidade de amar as pessoas, sem distinção e ajudá-las todas as vezes que eu pudesse, assim como alguns fizeram comigo. E hoje valorizo muito quem eu sou de verdade, valorizo meus sonhos e as pessoas que nunca saíram do meu lado, até nos momentos de maior fraqueza espiritual. Infelizmente, ainda não melhorei totalmente.. mas estou tentando. Ainda sou cheia de erros, falhas, pecados e desmerecedora de muitas alegrias que Deus ainda me permite ter. Mas ao mesmo tempo, me sinto mais forte, cada dia mais madura e disposta para mudar. Além disso, passei a não postar tanto sobre minha vida pessoal na internet e acreditem.. foi a melhor coisa que fiz.

Por fim, peço para que Deus me ajude a mudar e melhorar cada vez mais. Me ajude a ser cada dia mais parecida com Ele e menos com o mundo. Que me ajude a ser sal na Terra e luz na vida dos que me cercam. Que tire... toda a tristeza que ainda habita neste coração fraco e cheio de rachaduras. E que cuide de você que está lendo esse post, como até hoje Ele cuidou de mim.

Isso não significa que irei voltar com o blog na mesma frequência de antes. Mas o Mutações ainda não teve seu fim, assim como eu também não tive o meu.

O que aprendi sobre o amor antes dos 25 anos


Eu sempre fui teimosa. Mesmo se não fosse taurina, a teimosia não largaria do meu pé, pois sinto uma necessidade extrema de não desistir, nunca, sob hipótese alguma. Aos trancos e barrancos, a vida me ensinou a lutar pela dignidade, lutar pela minha família, lutar pelas pessoas que precisam de nossa ajuda mais do que imaginamos, lutar por animais e natureza, lutar pelas amizades sinceras, lutar pela minha própria felicidade, lutar pelo amor.

Muitos se tornaram tão egoístas que não vi outra saída a não ser amar quem eu sou. Não importa o quanto busquemos a tal aceitação, as pessoas simplesmente não se importam. Estão ocupadas demais em suas vidinhas medíocres do trabalho para casa, de casa para alguma festa, da festa para alguma pequena distração vazia, na eterna busca da felicidade em coisas tão superficiais. Se embebedam, se drogam.. tudo por 5min de esquecimento. A vida sem sentido precisa ser esquecida e vale tudo por isso. 

É muito fácil se afundar em um problema achando que aquilo é o que de fato merecemos. Não perdoamos erros passados e vamos nos afundando neles cada vez mais. E quando nos damos conta, já se passaram anos e não saímos do mesmo lugar. Deixamos oportunidades lindas passarem por medo de ser feliz, medo de enfrentar o desconhecido, medo de não sermos capazes, medo que se transforma numa certeza que incomoda, que cutuca a ferida, enquanto razão e emoção brigam entre si e enlouquecemos. O coração nos faz quebrar a cara, mas a razão muitas vezes nos torna infelizes também.

Depois de incontáveis decepções, o amor me ensinou que é preciso tentar uma, duas.. mas não uma terceira vez. Amor próprio também é uma forma de amar. É preciso aprender a se perdoar primeiro, para só depois amar novamente. Não é errado se doar, não é errado ser uma pessoa boa demais, não é errado abandonar aquele carinha super fofo (à la Summer e Tom) depois de perceber que ele não te fará feliz. Amor também é saber a hora de parar de insistir. Errado é enganar a si mesmo, empurrando um relacionamento que você sabe que nunca irá melhorar. Errado é ser infeliz e consequentemente fazer outra pessoa infeliz, por medo de ficar sozinho. Amor só é amor quando existe reciprocidade, pois o amor é leve e não algo forçado que só é gostoso em bons momentos e nos finais de semana com a família.

Amar por dois é um peso. Você gasta seu tempo, seu dinheiro, sua criatividade e se dedica a alguém que não faria metade dessas coisas por você. Amar é uma delícia, mas melhor do que isso é ser amado de volta. E quando isso não acontece, nos acomodamos.. ficamos mortos, sem iniciativa e presos em nossos próprios namoros/casamentos/ajuntamentos, acreditando que aquilo é amor. Se apaixonar por alguém não é algo que podemos controlar, mas o problema é que muitas pessoas escolhem sofrer por pessoas que estão pouco se lixando para sentimentos, felizes por aí com seus amigos, enquanto o outro faz de tudo pelos dois.

Os erros são necessários para o amadurecimento, mas às vezes cheguei a pensar que se existisse a tal “pílula do esquecimento” seria tudo mais fácil. Mas não seria.. afinal de contas, nunca aprenderíamos e continuaríamos nos ferrando com os mesmos erros até a morte, sem a chance de sermos um dia verdadeiramente felizes. Sem os erros, a vida seria um eterno vazio. 

O fato é que amor de verdade, a gente não esquece. Dizem que passa com os anos.. mas não passa, ele apenas é guardado em uma gavetinha de nossa memória, ressurgindo quando encontramos novamente a pessoa ou lembramos de algo relacionado a ela. Amor de verdade quer ver o ser amado feliz, mesmo que não seja ao nosso lado. Não podemos obrigar ninguém a ficar em nossas vidas, mas amor de verdade é o que faz você ajudar essa pessoa mesmo sem receber um obrigado e mesmo que ela nunca mais volte. Mas disse e repito: o amor só acontece quando nos perdoamos e aprendemos que só devemos ficar realmente com pessoas que nos amem na mesma intensidade. O amor.. ahh sim.. ele vale a pena. Isso é amor. E assim, quem sabe um dia.. alguém por descuido ou poesia, goste de ficar.

Beijos ;*

VERMELHO: quando a cor da "paixão" virou a cor da "raiva"


As cores para mim sempre representaram muito bem as emoções. No Ano Novo e Natal, nós temos o costume de acreditar ainda mais nisso. E vermelho sempre foi a cor da paixão, aquele sentimento avassalador que nos faz transpirar, tremer as pernas e gaguejar horrores ao seu apaixonar por alguém. Muito usada em propagandas de comida ou para chamar a atenção para qualquer objeto que seja, a cor sempre arde os olhos se for usada em excesso. Sexy, quente, cor de nosso sangue. Sangue este que está sendo derramado nas últimas semanas. Sangue de pessoas que simplesmente vestiram roupas vermelhas. Porque simplesmente um partido político brasileiro usa o bendito vermelho em sua bandeira.

Eu não costumo discutir política aqui no blog, mas assim como todos os brasileiros sensatos, eu também estou indignada com os últimos acontecimentos em nosso país. Tão chocada que começo a me perguntar se haveria algum problema em virar apolítica. Mas aí sempre vem alguém citando o texto O Analfabeto Político e eu mudo de ideia, concordando, pois também não podemos fechar os olhos e fingir que não acontece nada. Não sou filiada a partidos e nem pretendo ser, não defendo nenhum deles. Mas defendo as pessoas que trabalham pontualmente dia e noite para sustentar sua família, defendo pessoas honestas ricas ou pobres que não se deixam corromper por nada, defendo estudantes que viram a madrugada lutando por um futuro melhor sem precisar subornar alguém para fazer seu tão difícil TCC, defendo professores que amam a sua profissão apesar de TODAS as injustiças, defendo seres realmente humanos. 

O que eu não defendo são agressores que ameaçam mães com seus bebês de colo andando da rua por vestirem seus filhos com roupas vermelhas. O que eu não defendo são psicopatas que batem em você pela sua orientação sexual ou preferências políticas. O que eu não defendo são homossexuais e outras mulheres que acham que tem carta branca para agredirem moças por causa de uma moda ou maquiagem que ela quis usar independente da época do ano ou do horário. O que eu não defendo são maus tratos aos animais de rua só porque eles entraram sujos em seu comércio para pegar algum alimento e algumas pessoas ainda acham isso normal, não levantando a bunda da cadeira pra pelo menos dar água pra eles. Eu como jornalista, não defendo a própria mídia quando deixa de divulgar uma notícia por ser "parceira" ou ter o rabo preso com determinado partido ou seja lá o que for.

É como escreveram em uma frase que circulou no facebook por estes dias "um governo que não dá pra defender versus uma oposição que não dá para apoiar. Tempos macabros". Em meio a todo este caos que assombra o Brasil, a única coisa que desejo é poder ter a liberdade de usar a cor que quiser na hora que eu quiser, seja ela qual for. Em nenhum outro tempo se lutou tanto para se ter direitos, mas sinceramente? Eu tenho medo do que ainda pode acontecer nos próximos meses. Não concordo com "manifestantes" que quebram patrimônios públicos, fazem discursos de ódio e usam da violência para se exigir alguma coisa. Não é espancando pessoas fisicamente e verbalmente que você irá mudar a opinião delas, muito pelo contrário. Não tenho mais o que escrever, apenas esse texto que resume todo o resto que eu sinto infelizmente nesse momento tão delicado. Triste pela população, triste pelo nosso Brasil.

"Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali." Charles Bukowski

Beijos ;*
© Mutações Faíscantes da Porto | Layout por A Design