Uma garota, seus relacionamentos e uma doença: Resenha sobre o livro "A garota que tinha medo" por Breno Melo *

Hoje eu trago para vocês a resenha de uma história que fez com que eu me identificasse algumas vezes mais do que deveria com a personagem. Trata-se do livro A garota que tinha medo do autor Breno Melo. A obra conta a história de Marina, uma jovem que sofre com a Síndrome do Pânico e toda sua trajetória de luta contra a doença. A narrativa é em primeira pessoa, fato que fez com que eu me sentisse cada vez mais íntima de Marina conforme a história se desenrolava. Além disso, minha mãe teve no passado Síndrome do Pânico durante 7 anos, sendo que presenciei suas crises durante a infância, o que fez com que eu me interessasse ainda mais pela obra.

“Você não sabe nada sobre a síndrome do pânico? À parte todo o seu desconhecimento, tenha ao menos um bom coração. Esse já é metade do conhecimento de que você precisa. A bem dizer, sem amor, todo o seu conhecimento sobre a síndrome se torna inútil.”


Resenha
Tudo começa quando Marina resolve escrever sobre a sua vida pacata e de como as coisas mudaram quando ela descobriu que tinha Síndrome do Pânico. Antes de ter a sua primeira crise aos 18 anos, Marina estava sofrendo muito com as pressões da mãe para que entrasse em uma boa universidade, seu pai parecia pouco se importar com a família, seu irmão só a irritava e a única coisa que a distraía era Júlio, um moço adorável que ela tinha acabado de conhecer pela internet.

Marina era muito perfeccionista, insegura e estudiosa, porém mesmo assim sua mãe a cobrava o tempo todo com os estudos. Eu particularmente fiquei com um ódio profundo da mãe dela desde o começo da história, porque ohh mulherzinha chata kk. Aliás, eu meio que entendia a personagem, porque o meu pai também é bastante rígido – mais do que o normal – e sei bem como ela se sentia, ainda mais quando se tratava de seus passeios noturnos ou com Júlio.

A menina também tinha um blog, era bem religiosa e cursava Jornalismo na Universidade Católica de Assunção no Paraguai. Diferente dos seus novos colegas da universidade, Marina parecia ser uma jovem responsável, o que não a impedia de se envolver em algumas confusões rs. Também notei uma extrema carência da personagem em muitos momentos, fazendo com que a mesma tivesse uma baixa autoestima de dar pena e fizesse coisas das quais se arrependia depois.

Além dessa identificação com a Marina, eu adorava cada vez que a personagem citava alguma coisa referente à cultura e história do Paraguai, fazendo comparações com o lugar em que vivia no interior e principalmente as expressões que eles usavam em Assunção. Outra coisa que me prendia a atenção era quando Marina comparava a sua vida com personagens bíblicos e da literatura, me fazendo definitivamente imaginar a situação.


A sua primeira crise acontece em um momento que era para ser feliz. Os sintomas fazem a garota pensar que está infartando e que pode morrer a qualquer momento. Ela faz exames, vai ao médico e nunca parece ser nada, apenas uma pressão alta no máximo. Após diversas crises em público e com Júlio, todos começam a se afastar dela, sendo que nem a menina sabe o que de fato está acontecendo com seu corpo. Em certo momento, tive raiva de Júlio também, mas depois fiquei pensando se fosse eu ali, como eu agiria se estivesse no lugar dele? Não sei.

A cada crise, os sintomas ficavam mais fortes e intensos. Eu sinceramente ficava desesperada ao ler o que Marina pensava nesses momentos. Apesar de ficar consciente, ela não tinha controle sobre o próprio corpo e as pessoas ao presenciarem suas crises, achavam que ela estava louca. Até que finalmente, Marina é diagnosticada com a Síndrome do Pânico. Ela começa seu tratamento e passa a escrever sua história em seu blog, buscando uma maneira de explicar seus sentimentos aos seus amigos e leitores.

A garota que tinha medo me deixou um pouco triste e melancólica em alguns capítulos em específico. Mesmo depois de fechar o livro, ficava com Marina na cabeça, pensando em como uma menina tão jovem e cheia de sonhos poderia conseguir conviver com uma doença assim. A leitura também é cheia de detalhes, mas que nem por isso se tornava cansativa ou previsível, muito pelo contrário. Nota-se que o autor tem total conhecimento sobre a Síndrome do Pânico, fazendo com que o leitor sinta uma avalanche de emoções junto com a personagem enquanto lê a obra.

Quando recebi o livro, confesso que não gostei muito da capa, mas depois de conhecer a história, vi que combinava muito bem. Graças às folhas amareladas, minhas vistas não se cansavam, além do final que foi surpreendente. Se você é daquele tipo de leitor que gosta de histórias intensas, aprecia os romances ou quer saber mais sobre essa doença que para alguns ainda é um mistério, eu recomendo A garota que tinha medo com certeza.
Nota:

 
Eu conheci esse livro no Fluffy, blog super meigo da Gabi Orlandin. Comentei e imediatamente o Breno me procurou fazendo a proposta da resenha. Então eu só tenho a agradecer aos dois! Muito obrigado mesmo! Agora vocês me contem, já leram A garota que tinha medo também? Conhecem ou convivem com alguém que tenha Síndrome do Pânico?

Um super beijo e até a próxima ;*
 

4 comentários:

  1. Eu recebi o livro para resenhar tbm, tô só esperando passar umas ocupações da escola pra iniciar a leitura dele :D
    O tema me interessa...

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  2. Oi Carol, já tive a oportunidade de ler outras resenhas do livro e fiquei bem curiosa.
    A premissa da obra é muito interessante e enredos que abordam doenças são sempre bem vindos pois nos deixam mais informados sobre elas.
    Adorei a sua resenha, bem esclarecedora, beijos

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    1. Com certeza Kris e esse livro é bem bacana mesmo.. obrigada! beijos

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