A Borboleta



Existem três tipos de pessoas.



"Olha para ela. 
Nem parece que perdeu a mãe! Ela sorri e age como se não sentisse nada, como se não estivesse triste, como se não se importasse. Continua saindo, trabalhando normalmente, fazendo piadas, comprando roupas novas e falando de seus amores. Que horror... parece que a mãe não faz falta, aliás, viviam brigadas pelo que sei. Acho que no fundo ela tem agradecido por não ter mais ninguém para encher seu saco."



"Olha para ela.
Ela é digna de pena. Que dó dessa menina. Olha lá como anda triste, parece estar com depressão. Seus olhos perderam o brilho e tudo a deixa nervosa, a ponto de explodir. Talvez ela se sinta melhor sozinha, por isso se afasta de todo mundo. Vou lá oferecer ajuda, mas não que eu vá ajudar de verdade, pois já tenho meus problemas e sou ocupada demais. Mesmo assim, não custa nada dizer que estou aqui, mesmo que seja mentira. Tadinha, é uma pobre coitada mesmo."



"Olha para ela.
Essa menina é doidinha mesmo. Ela é um completo caos por dentro, mas por fora sorri como se fosse a pessoa mais feliz do mundo. O seu único problema é que ela sente demais. Sente paixão, sente medo, sente alegria, sente tudo ao mesmo tempo e principalmente, se sente sozinha. Mesmo assim ela dá gargalhadas e enche de presentes as pessoas que ama, mesmo que não seja recíproco. Ela arranca sorrisos até de desconhecidos, pois não suporta ver ninguém triste perto dela. Ela tenta disfarçar o máximo que pode, mas quando está sozinha, ela ainda chora pela mãe ou por aquele amor não correspondido. Tolo do homem que não consegue enxergar a poesia em seus olhos, pois essa menina faz de tudo para levar felicidade, mesmo que a felicidade a ignore totalmente."


Tempestade. Caos. Alegria. Amor. Tudo e mais um pouco.


"Não gosto de borboletas pretas.. ainda mais gigantes assim." - Disse minha mãe ao olhar uma borboleta gigante repousando na parede do quintal.
"Porque?"
"Quando minha mãe morreu, eu vi duas borboletas pretas gigantes no teto do banheiro, enquanto tomava banho para ir ao velório dela"
"Para de besteira mãe.. isso é superstição."
"Eu não acho que seja.. era ela. Ela e meu irmão. Como se estivessem representados ali, por aquelas duas borboletas. Uma maior e uma menor. A mãe e seu filhote. A minha mãe e meu irmão."
"Não gosto desse assunto de morte mãe. Para de falar besteira. Vai tomar seu remédio da tireóide e não fala mais isso, por favor"
"Tudo bem..."


Me encontrei com uma borboleta preta e gigante na mesma semana que minha mãe faleceu e desde então, as minhas paranoias que já eram muitas, aumentaram.






Não seja o tipo de pessoa que tem pena ou raiva de mim. Eu estou tentando mudar. Não tenho inspiração para escrever no blog, seja por tristeza ou apenas falta de tempo. Mas não sejam essas pessoas. Respeitem o meu pai, respeitem a mim. Não queremos ninguém em casa. Não queremos que tenham pena. Queremos apenas seguir nossas vidas em paz, se possível. Não vejam maldade na onde não tem. Não peço para que entendam.. apenas que respeitem, já que até isso está difícil ultimamente.








Obrigada.


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