VERMELHO: quando a cor da "paixão" virou a cor da "raiva"


As cores para mim sempre representaram muito bem as emoções. No Ano Novo e Natal, nós temos o costume de acreditar ainda mais nisso. E vermelho sempre foi a cor da paixão, aquele sentimento avassalador que nos faz transpirar, tremer as pernas e gaguejar horrores ao seu apaixonar por alguém. Muito usada em propagandas de comida ou para chamar a atenção para qualquer objeto que seja, a cor sempre arde os olhos se for usada em excesso. Sexy, quente, cor de nosso sangue. Sangue este que está sendo derramado nas últimas semanas. Sangue de pessoas que simplesmente vestiram roupas vermelhas. Porque simplesmente um partido político brasileiro usa o bendito vermelho em sua bandeira.

Eu não costumo discutir política aqui no blog, mas assim como todos os brasileiros sensatos, eu também estou indignada com os últimos acontecimentos em nosso país. Tão chocada que começo a me perguntar se haveria algum problema em virar apolítica. Mas aí sempre vem alguém citando o texto O Analfabeto Político e eu mudo de ideia, concordando, pois também não podemos fechar os olhos e fingir que não acontece nada. Não sou filiada a partidos e nem pretendo ser, não defendo nenhum deles. Mas defendo as pessoas que trabalham pontualmente dia e noite para sustentar sua família, defendo pessoas honestas ricas ou pobres que não se deixam corromper por nada, defendo estudantes que viram a madrugada lutando por um futuro melhor sem precisar subornar alguém para fazer seu tão difícil TCC, defendo professores que amam a sua profissão apesar de TODAS as injustiças, defendo seres realmente humanos. 

O que eu não defendo são agressores que ameaçam mães com seus bebês de colo andando da rua por vestirem seus filhos com roupas vermelhas. O que eu não defendo são psicopatas que batem em você pela sua orientação sexual ou preferências políticas. O que eu não defendo são homossexuais e outras mulheres que acham que tem carta branca para agredirem moças por causa de uma moda ou maquiagem que ela quis usar independente da época do ano ou do horário. O que eu não defendo são maus tratos aos animais de rua só porque eles entraram sujos em seu comércio para pegar algum alimento e algumas pessoas ainda acham isso normal, não levantando a bunda da cadeira pra pelo menos dar água pra eles. Eu como jornalista, não defendo a própria mídia quando deixa de divulgar uma notícia por ser "parceira" ou ter o rabo preso com determinado partido ou seja lá o que for.

É como escreveram em uma frase que circulou no facebook por estes dias "um governo que não dá pra defender versus uma oposição que não dá para apoiar. Tempos macabros". Em meio a todo este caos que assombra o Brasil, a única coisa que desejo é poder ter a liberdade de usar a cor que quiser na hora que eu quiser, seja ela qual for. Em nenhum outro tempo se lutou tanto para se ter direitos, mas sinceramente? Eu tenho medo do que ainda pode acontecer nos próximos meses. Não concordo com "manifestantes" que quebram patrimônios públicos, fazem discursos de ódio e usam da violência para se exigir alguma coisa. Não é espancando pessoas fisicamente e verbalmente que você irá mudar a opinião delas, muito pelo contrário. Não tenho mais o que escrever, apenas esse texto que resume todo o resto que eu sinto infelizmente nesse momento tão delicado. Triste pela população, triste pelo nosso Brasil.

"Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali." Charles Bukowski

Beijos ;*

Um comentário:

  1. paixão e raiva andam juntas,amiga!
    Só amor é eterno!
    Bjos
    http://www.elianedelacerdsa.com

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